sexta-feira, 8 de junho de 2012

A Escola

Atualmente a sociedade brasileira atravessa um bom período, cujas pessoas têm um largo acesso à escola, desde o ensino fundamental até o superior. Ao visualizar essa situação, é automático buscarmos na memória a história escolar de nossos familiares. Olhos que viram, e mãos que estudaram antes das nossas.
   Minha família, especialmente os meu pais, sempre deram um grande espaço a minha educação e a do meu irmão. Minha mãe, quando eu era pequeno, me contava a história de minha avó materna. Ela estudou até a segunda série, pois teve que trabalhar desde muito cedo para ajudar a sua mãe, no caso, minha taravó.
Sobre os meus avós paternos eu sei muito pouco. A minha avó era semi-alfabetizada e o meu avô não. Ele não conseguia assinar o seu próprio nome, o que lhe trazia muitos transtornos.
Traçando o percurso escolar de meus familiares, não posso deixar de falar da minha mãe. Ela, a responsável pelo incentivo de meus estudos. A mesma que tanto me ajudou, teve muitos obstáculos em seu caminho.
Desde muito pequeno ela me contava que, para estudar, a minha avó lhe trazia “mochilinhas” velhas, matérias escolares usados dos filhos das patroas. Minha mãe me relata também que a escola trazia muitas dificuldades, pois o nível era muito difícil (mais do que é atualmente). Por causa de todos esses tropeços, muitos alunos eram reprovados e saiam da escola.
Com minha mãe não foi diferente, ela estudou até a quinta série, com muita dificuldade. Um fato curioso e paralelamente triste é sobre os seus lápis. Quando a minha avó não os conseguia ganhar das patroas, ela comprava uma “caixinha de seis pequenos lápis” para a minha mãe. Na medida em que o ano passava e eles iam acabando por causa do uso do apontador, a minha mãe chorava. As lágrimas afogavam os seus olhos diante da morte de seus adoráveis lápis.

O meu pai, por sua vez, não chegou a estudar até a quinta série. Ele estacionou os seus estudos na segunda. Hoje em dia, as palavras não conseguem expressar a amplitude dos seus pensamentos, pois ele não as domina completamente. O considero semi-alfabetizado.
Ao rememorar todos esses percursos, percebo que hoje em dia, mesmo a educação estando em descrédito, as políticas federais possibilitam as pessoas a terem um grau de escolarização muito maior do que a dos nossos avós. A minha mãe é um exemplo. Ela foi bastante beneficiada por esses projetos, concluindo os seus estudos, quando já adulta, através do “Ensino de Jovens e Adultos” o EJA.
Hoje em dia, a minha mãe, um dos meus maiores exemplos, sonha em fazer um curso superior. Segundo a minha opinião, a educação é um importante canalizador para os nossos sonhos. É através dela que o ser humano passa a enxergar o seu potencial e, principalmente, se preparar para que os seus sonhos se tornem realidade.
Mas nem tudo é perfeito e ainda convivo com um drama, o de convencer minha mãe a fazer Letras. Tomara que eu consiga!




5 comentários:

Eduardo Montanari disse...

Minha mãe cursou até a quarta série primária, depois parou, pois meu avô era daqueles que achava que mulher só servia pra ser dona de casa e reproduzir. Contudo ela sempre amou ler e isso lhe deu muita cultura, mas ainda assim hoje, ela já não tem mais pique de estudar. Não posso criticá-la, pois chega uma hora em que a idade pesa mesmo

*Dorath* disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
*Dorath* disse...

Nossa, realmente. E a educação tem também o poder de motivar, né?
Quantas vezes a gente levanta cedo, se esforça na escola por acreditar nessa promessa de que a educação vai melhorar a vida da gente...
Muito Bom, parabéns.

Paty disse...

Belíssimo texto Rapha! Minha mãe veio de família pobre, então ela só terminou o Ensino Médio quando eu ainda era pequena. Até porque ela se casou bem cedo. Meu pai, nessa época, estava fazendo Direito e trabalhando. Depois que passou no concurso público, ele não tava dando conta dos estudos e continua trabalhando até hoje no TRE. Minha mãe fez curso técnico de enfermagem, mas infelizmente não trabalha por causa dos serviços em casa e nem meu irmão, nem meu pai ajudam ela ou pagam alguém pra limpar e fazer comida... enfim!
Rapha, declaro que estou de férias e vou poder fazer parte da parceria. Vi seu e-mail, mas infelizmente não pude assistir ao VMA. Se tiver algumas propostas, estou aqui! :)

Letícia Myrrha disse...

Que lindo texto Raphael. Quanta sensibilidade!! E o mais incrível é ver pessoas que têm oportunidade de estudar, mas não aproveitam. Um abraço e parabéns!!