quarta-feira, 30 de novembro de 2011

3_ O Sol




Fora em um dezembro passado, tudo se iluminou. Agora, envolto por sombras a dor não dói mais, pelo menos, se apresenta menos avassaladora do que já fora em um momento passado. Lembro dos fatos com tanta claridade, que os raios do sol me segam.

         
            Um rasgo. Assim como foi, um rasgo, de repente houve uma ruptura. Hoje tento reconstruir em minha mente, desvencilhando meus olhos dos intensos raios, tudo o que acontecera, mas sinto medo. As lembranças me açoitam. As paredes do meu quarto, já em retalhos caem ao chão, se decompondo e, conseqüentemente, me levando à mesma degradação.

         
A morte de minha extensão, simplesmente, esvaiu-se como água.


Daniel era meu sol. Aquele que me disponibilizava luz e, ao mesmo tempo, me cegava pelo seu exuberante excesso de brilho. Como conviver com esse contraste?

         
            “Querido, como eu me sentia bem ao seu lado, só hoje percebo que eu era completo.” Ele era a luz que me tirava da escuridão. Meu verão. Meu Brasil.



            Recobro insistentemente meus pensamentos. Eu mergulho no puro veneno do amargor. “Hoje percebo você, sinto você, mas só te enxergo em um papel fotográfico.”



            Nós, em tardes ociosas de domingo em que o céu era cor de rosa. Dois amigos, mas só nós sabíamos que, na verdade, éramos mais que isso. Agora, por fim, eu consigo ver o seu rosto mais nítido do que em uma fotografia.” Nessas memórias, você está mais vívido.” Cores fortes na intensidade frenética do pintor.


            
            “Foi naquela manhã monótona de dezembro, em que eu navegava em um mar parado e sem ondas que você apareceu, pela primeira vez. Resgatou-me de mim mesmo.”



            “Lembro do momento em que entrei no salão, um espaço aconchegante encima da boate, “Clube Z”, um local que eu não esperava ser tão acolhedor. Logo que entrei vi você que, cercado de pessoas, me olhou. Olhares cruzados.”



            Daniel abriu seu lindo sorriso. Agora, revivendo aquilo, posso dizer que, fora ali, naquele momento, que eu deixei de sentir o vazio e fui preenchido pelo amor. Ali, de ímpeto, me apaixonei.



            Meteoro que atinge a terra. IMPACTO!



            “Como não percebi seus encantos, desde o primeiro momento, o convite, daquele jeito tão lindo e tão informal. Como pude ter sido óleo, tão untuoso, preso em minha própria estrutura e você, água, fluida, corrente. Pena que água, quando derramada não volta... Hoje, sinto sua ausência.”



            “Como se fosse hoje, eu ainda sinto o seu abraço, seu cheiro, tão próximo e cítrico. Como eu adorava o seu frescor!”






2 comentários:

*Dorath* disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
*Dorath* disse...

"3_O sol" me arrebatou,é incrível como você descreveu os sentimentos mais íntimos dos personagens, eu, como leitora, consegui sentir a dor profunda e latejante de alguém que tem o sol arrancado de sua vida.
Parabéns Rapha..